Sede
As pessoas nos ensinam todos os dias. Sempre tive muita sede de estudar, era boa aluna, tirava sempre dez na escola e jamais repeti de ano. Mas havia em mim, durante a adolescência, um milhão de sentimentos que gritavam em busca de alguém que me ouvisse. Na verdade, eu não sabia direito o que queria dizer, mas queria dizer. Foi assim que compus a maioria das poesias de meu singelo e estreito livro Além de Mim, ali consta o testamento simbólico de uma juventude inquieta que havia em mim. Depois, as coisas foram ficaram mais claras e apesar das estatísticas de que "filho de pobre não estuda" e que nascendo mulher, o futuro é apenas o de procriar, descobri que queria estudar. Isso era a minha vida, uma sede que bebia da água de muitos livros; de Machado, algumas coisas de Fernando Pessoa e qualquer coisa que fizesse sentido ou que não fizesse, mas que criasse um mundo alternativo. Descobri também que eu detestava estudar sozinha, que era enfadonho, cansativo, chato mesmo....