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Olhares

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Agora que eu cheguei aqui vou olhar para todos os lados. Vou olhar para trás e lembrar das pedras que construíram meus alicerces. Vou olhar para frente e descobrir que o horizonte é maior do que eu supunha. Vou olhar ao redor e abraçar os meus companheiros de caminhada Vou olhar para dentro de mim e redefinir metas, avaliar circunstâncias e projetar novos ideais. Vou olhar para cima, por que dizem que é lá que Deus mora  e agradecê-lo por ter me soprado a vida. Vou revisitar o mundo com o meu olhar. Agora que cheguei aqui, descobri que havia dado apenas o primeiro passo.

Quero falar de uma coisa...

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Na verdade, quero falar de pessoas, de um grupo que resolveu não mais permitir que podassem seus destinos, que roubassem seus sorrisos de meninos. De uma gente que, mesmo tendo nascido no sertão árido do Ceará, jamais deixou de cuidar do broto, de semear a esperança e ir em frente, mesmo quando as adversidades pareciam maiores. Quero falar de uma gente teimosa que se reunia em plena casa de farinha, à luz das lamparinas e à luz da cooperação, em busca de um novo caminho, de um novo tempo e de uma nova história.  Quero falar de uma gente que resolveu apoiar a quem ainda nem mesmo acreditava que filho de agricultor podia sentar no banco da universidade. Quero falar de uma gente que semeava esperança, que se tornou professor, mestre e doutor em solidariedade. De uma gente que não conhecia o futuro, mas tinha certeza que não viveria para repetir o passado. De uma gente que compartilhava o conhecimento, a comida, o sofrimento e os sonhos e que encarava a tarefa enfadonha do es...

Contextos

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Saudades de um tempo Vontade de brisa Desejo de abraço Sonho sem travesseiro Saudades de atravessar a rua sem olhar para o lado de atravessar a vida sem olhar para trás Saudades de hoje e de um tempo sem relógio Uma lua sem prédios um afago sem medo um letra sem reforma um desenho sem forma e uma gente humana Saudade de um tempo em que crianças corriam... na rua, na calçada e não corriam riscos de uma juventude sem pedra de um governo sem burocracia e de uma terra de paz Saudade de ser grande de ter pouco para fazer para dizer para assumir Saudade de amanhã de um planeta em harmonia de uma gente que protegia de uma gente que não destruia o sonho, a mata, a Terra Saudades de existir sem contexto saudades de um tempo que ainda não passou e de um tempo que não sei se virá. Humildemente, esta autora.

Coisas imprescindíveis

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Precisamos de poucas coisas para viver mas insistimos em correr cada risco pela grandiosa vontade de alimentarmos o nosso insaciável instinto consumista. Só realmente algumas coisas são importantes e eu as considero, de verdade, práticas imprescindíveis para se viver bem. Contemplar o nascer e pôr-do-sol. Contemplar estrelas e desconhecer o nome das constelações. Conhecer pelo menos um lugar muito diferente do seu. Tomar sorvete com os amigos. Ler o Pequeno Príncipe e grifar as partes mais importantes. Deixar-se fotografar com os cabelos desfeitos. Deixar de tomar refrigerante. Ligar para os antigos amigos numa tarde de segunda-feira. Ouvir atentamente os mais experientes. Ouvir o que dizem as crianças sobre a ir à Lua. Curtir a ocasião ao invés de idealizar. Agendar uma caminhada pelo fim de tarde como um compromisso importantíssimo. E... caminhar. Desenhar sem medo. Procurar a lua no céu. Agradecer a oportunidade de ter uma janela. Abrir novas portas. Escrever bi...

Do jeito de encarar o rio

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Essa força estranha que nos move. Essa força estranha que move as pessoas, as montanhas, as águas. Estamos prestes a atravessar mais uma correnteza e eis que à beira da estrada nos juntamos aos muitos que, ainda não conhecem o agitar das águas, mas aguardam com ansiedade o momento de encará-las. Nosso jeito bravo de dar ao mão ao outro e segurar firme, quando duvidoso ele parece cair na correnteza, é que nos torna especialmente humanos. Humanos de um jeito latente de ser humano, de uma forma múltipla. Não apenas o meu ou o seu interesse, mas o nosso. Em alguns momentos e por sermos muitos nos dispersamos com a paisagem ao nosso redor, mas o ardor de servir nos chama de volta e nos leva ao caminho. Tantas vezes, na tensa travessia contamos com mãos e braços fortes que nos encorajam a chegar do outro lado. E tal qual, na natureza, em nossa vida também há a outra margem e é quando percebemos que o rio era apenas o meio para chegar. Do outro lado, há tantas outras vidas à espera ...