Um certo dia, entre as pessoas que entravam em minha vida, entre amigos e amores você chegou. Inicialmente, em nosso mundo virtual ganhamos muitos motivos para nos falarmos todos os dias, trocarmos mensagens e de repente, éramos uma constante, mesmo eu estando em Fortaleza e você em São Paulo. Aquilo tudo parecia loucura e num mundo tão cheio de modernidades, um namoro virtual nos pareceu muito estranho. Foi aí que terminamos. 

Nos demos uma pausa e voltamos aos nossos mundos particulares, por muito pouco tempo... Foi impossível não constatarmos a sintonia que existia entre nós. Apesar das diferenças (que me assustavam no primeiro momento) ganhei coragem para encarar as nossas histórias diferentes. Não foi fácil derrubar os meus castelos e aceitar as novidades que você trouxe para minha vida. 

O meu gênio impulsivo de Áries foi se modificando ao entrar em contato com a sua natureza escorpiana, seu jeito explosivo de reagir às contrariedades e sua maneira de perder o bom humor cada vez que alguma coisa desse errado. Mudei meus defeitos por causa dos seus. Ganhei qualidades por conviver com as suas. Muitas coisas aconteceram, meus sentimentos foram mudando. 

Perdi expectativas, mudei de fases para me adaptar a algumas coisas, mas continuo precisando do seu perdão para alimentar o nosso amor. Depois de um tempo descobri que viver com você era uma aprendizagem e que faria isso até o dia que encontrasse amor e respeito em seus olhos. Tem muitas coisas que você faz que me deixam profundamente irritada e sei que deixo de fazer coisas que faria você muito feliz, mas escolhemos um ao outro por motivos maiores que isso. 

Estou buscando respostas, mas tentando viver ao mesmo tempo, me perdoando todos dias para poder perdoar você. No amor não há perfeição, apenas aprendizagem. 
Fonte: Google

Pronto! 10 anos de engajamento social, teorias adquiridas de livros e artigos sobre liberdade racial, compartilhamentos e curtidas contra o preconceito social no Facebook, discussões com amigos e parentes sobre direitos dos mais frágeis e tudo isso desaba em questão de segundos.

Sim, foi apenas um segundo para a minha reação fisiológica julgar o menino negro que encontrei na rua, cabelo descolorido nas pontas, bermuda, chinelo e fone de ouvido. Levei um enorme susto ao encontrá-lo quase de ímpeto em frente ao meu trabalho. A reação imediata foi voltar, recuar... Eu não soube o que fazer, imaginei mil coisas naquele momento, e nenhuma delas fazia sentido: seria um assalto ou apenas um garoto negro de bicicleta na rua e se ele não fosse negro, não sei... não pensei, não deu tempo pensar nisso.

A iminência de uma possível ameaça me deu uma sensação terrível de impotência, de não saber o que fazer naquele momento, de estar ali julgando um desconhecido sem nenhuma prova, apenas pela evidência de alguns rótulos. Eu não queria usar os rótulos, mas não havia outra coisa a fazer. Foi uma sensação terrível. Uma confusão mental, sentimental, física...

Já fui assaltada uma vez e acredito que o perigo pode vir de qualquer forma, cor ou aspecto, por isso geralmente, acho que qualquer pessoa na rua pode ser uma ameaça. Infelizmente, os índices de violência em Fortaleza são assustadores, tanto quanto muitas cidades brasileiras, o que faz com a gente ande assim trocando calçadas e desconfiando das pessoas.

Mas enfim, diante do garoto e do susto que tomei a pior sensação realmente, foi ver que o rapaz, na verdade, estava chegando ao local do seu curso para mais uma tarde de aula. Ele esbravejou a revolta, balbuciou uns palavrões em protesto à minha reação e eu senti aquela angústia de ter julgado alguém tão rapidamente em tão míseros segundos. Aquela reação física no meu corpo mexeu com o meu intelecto e com os meus sentimentos.

Não fui capaz de usar em segundos a minha experiência e o meu discurso de uma sociedade mais justa e igualitária. Devo admitir que estamos nos destruindo enquanto sociedade e sinto muito em contribuir com isso também.
Olha que legal!
Encontrei um vídeo onde falo sobre a minha poesia e, humildemente, suas semelhanças com o genial Manoel de Barros.

#EuCurtoPoesia
Café comunitário no dia 26 de julho no Espaço Cultural Nação Mandingueira
Atendendo a convites do amigo Marquinhos ou professor Barata, como é conhecido, estive visitando mais de uma vez o Espaço Cultural Nação Mandingueira. No último domingo de cada mês acontece o café comunitário e estive lá exatamente num dia de mesa cheia.

Fui muito bem recebida e logo percebi que ali havia muito mais do que somente a expressão da capoeira, havia um espírito puro de comunidade. Fui tentando conhecer um pouco do que acontecia e Marquinhos e Joalene foram me contando: "aqui tem aulas de jiu-jitsu, forró para os idosos, oficinas para as mães, palestras e aula de capoeira, claro". 

O local precisa de uma reforma 
O espaço foi doado pelo pai do Marquinhos que juntamente com a esposa e os amigos que cuidam do espaço vão promovendo ações pontuais para arrecadar recursos para o projeto; bingos e venda de pratinho de comida aqui e ali.

A sede tem apenas uma sala com piso e os poucos cômodos que restam ainda estão por terminar, mas nada que tire o brilho de um trabalho genuíno e acolhedor ali no bairro Bela Vista. Marquinhos me contou ainda que o pouco que conseguiram reformar do espaço foi conseguido com as doações de apenas 50 centavos trazidos pelos participantes do projeto a cada treino. 
Marquinhos é quem lidera o espaço
Fiquei muito empolgada e resolvi dividir a história com todo mundo, foi assim que surgiu a ideia do vídeo. No dia seguinte, liguei pro Diego: "temos que gravar com Marquinhos e pegar umas imagens do que acontece no espaço". Ele topou e em poucas semanas o vídeo ficou pronto.
Agora a ideia é buscar ajuda, fazer com que as pessoas entendam o papel social de alguém que.transformou a paixão pela capoeira em projeto social. 

Assistam o vídeo e vejam a riqueza que há em Paramoti apesar das más notícias que temos tido, tem gente empenhada em reverter esta situação, só temos que ajudar.
E a gente vai trilhando a vida
Cumprindo as sentenças
Aproveitando o tempo

E a vida nos matando
Um pouco todos os dias
Enquanto sopra o vento

E a lista vai se esgotando
Com o tempo, com o vento
E A GENTE vai se renovando

Todo dia tem gente nascendo
Todo dia tem gente morrendo
Até o dia que por aqui ficamos
Não roube a minha esperança
Um caderno, um livro e um lápis 
São as únicas armas que possuo
Por que não tenho amigos influentes 
E nem desfruto de altos cargos do governo

Não mate a única chance que tenho
De interromper o ciclo de miséria em que nasci
De contradizer os números, de viver além deles
De reconstruir a história de meus pais,
O fatídico destino de meus avós
E a ignorância de várias gerações.

Me deixe quebrar os grilhões da inércia
E trilhar novas veredas,
Rasgar a mata fechada dos obstáculos
Descobrir outras sensações
Renovar minha lista de sonhos
Mas espere, não posso fazer isso sozinha.

Preciso de muitos
De muitos amigos com o mesmo anseio
De muitas mãos dadas nessa caminhada
De muitos que assim como eu acreditam
Que um caderno, um lápis e um livro
Podem mudar a história de muita gente.




O carro quebrou
O remédio acabou
O salário atrasou
E o povo?

O povo errou?
Por isso pagou?

Mas ainda há saída
Havendo esperança
Há vida
Mas não queira se iludir
Não existe um sequer
Para nos acudir.

O remédio?!
O remédio é o povo
Que por se calar
Mais um pato vai pagar.

Ventos sopram
Barcos navegam
Pessoas lutam 
Corações entristecem

Amigos se estranham
Lágrimas se juntam
Desejos se vão
Sonhos se desfazem

Vontades contidas
Amores não realizados
Mentes incertas
Minutos se passam

Juventude inquieta
Elite oprime
Muitos tentam
Poucos conseguem
Alguns morrem
Outros desistem
Alguém grita
Ninguém escuta

Primeira poesia do livro Além de Mim.
Ninguém imagina que vai acontecer com a gente!
Nossos pais passam a vida toda tentando nos proteger, quando ainda somos crianças é mais fácil, um carão aqui, uma palmada ali e aquele choro passa logo, nem dói. 
Depois vamos ganhando asas, exigindo nossa liberdade.  
Nossos pais nos enchem de avisos, alertas e precauções, fazem de tudo para evitar que a gente machuque sequer um dedo das mãos, ficam noites inteiras acordados e sofrem por que sabem que a juventude é a época da terrível vontade de viver. 
Eles sabem que um dia também foram um pouco do que somos hoje, respeitando é claro, as devidas proporções e épocas vividas. 
Faz até medo desobedecer, fingir que não ouviu a mãe pedir para não beber demais, voltar mais cedo ou deixar de ir a um lugar. 
Mas a juventude, ah, a juventude... 
Os jovens adoram correr riscos, escalar seus medos, desafiar a lógica e acima de tudo, se divertir: é tudo que eles querem.
É nesse momento que esquecem dos conselhos, das precauções, do "se beber não dirija" e se jogam na vida de forma que já não importa como será o final da história.
E a vida, estranha e incógnita como é, leva a gente como uma música envolvente. 
O risco que se corre é somente a confirmação de que aquele arriscado voo de paraquedas dessa vez deu certo, a disputa de carro entre amigos acabou bem, o pulo lá de cima acabou em rizadas... 
Correr riscos é saber que um dia pode dar tudo errado; o extintor pode não funcionar, a faísca pode fugir do controle, a saída de emergência pode não existir e tudo terminar numa madrugada. 
Tudo pode virar somente passado: o sorriso estampado nas últimas fotos das férias, a alegria de ter entrado na faculdade, os planos para um futuro bom... tudo acabado,tudo transformado em fumaça. 
E apesar da  morte ser o destino de quem vive, não se espera morrer aos 16, 18 ou 21 anos de idade e ainda mais em plena festa com amigos. 
Nenhum pai espera enterrar seu filho, principalmente sabendo que essa dor poderia ter sido evitada. 

Homenagem aos 233 jovens que morreram no incêndio em Santa Maria/RS. 

Meu espírito poético transcende o dia,
Invade a noite e não vai embora
Revira-se em minha cama,
E permanece entre meus lençóis.

No dia seguinte volto a encontrá-lo
Estranho, pálido, cansado,
E na busca por uma inspiração;
Atropela-me os afazeres,
Confunde os meus dizeres
Reclama da minha inanição.

Preciso consertar meu barco
Sair de novo pelos mares
Arriscar-se em tempestades
Destruir antigos pilares
Hastear bandeiras ao vento
Respirar forte outros ares.

Cantar canções de outrora,
Reviver álbuns antigos,
Refazer a lista de sonhos
Reencontrar os velhos amigos.
Pode ser que aí se encontre
Parte de um tesouro perdido.

Essas palavras empilhadas
Fazem-me sentir alegria
Pois já conta certo tempo
Que versos eu não escrevia
Afinal, como pode este mundo,
Sobreviver sem a tal da poesia?

Ela nasceu em 28 de maio de 1917, em Angelim – Paramoti, era filha de José de Sales e Francisca Ferreira e trouxe o nome de Rosa. Veio ao mundo numa época difícil, quando as mulheres tinham pouco espaço na sociedade e a educação não era acessível a todos. Seu caderno foi a enxada e os afazeres da roça, “trabalho desde que pude com uma enxada” me disse certa vez.
Filha de agricultores, seu pai que andava sempre à cavalo a levava para onde ia e numa de suas idas para a missa em Paramoti acabou conhecendo Francisco Chaves com quem casou-se aos 15 anos. Os dois foram morar em Boa Esperança, os desafios eram muitos e ela ajudava o marido aonde quer que fosse, tirar mel na mata, cuidar dos animais, até mesmo grávida subia nas árvores para derrubar comida para o gado.
Teve 18 filhos, dos quais só 15 ficaram vivos. Cuidou de todos com afinco e zelo, trabalhava no roçado, colhia algodão, criava gado e sempre serviu a todos antes de sentar à mesa para comer.
Quando as filhas ficaram moças levava-as para as festas religiosas e também para os forrós regados à sanfona que havia na época, nisso acompanhava também as filhas dos vizinhos que só confiavam nela para levar e trazer as moças em casa.
Era destemida, corajosa e mesmo quando ficou viúva mostrou-se forte e se fez exemplo para todos que a conheciam. Católica, cheia de fé e devoção sempre nos deu exemplo de força e coragem frequentando a missa constantemente nos últimos anos de sua vida.
Aos 95 anos de idade ainda andava na garupa da moto e seu abraço marcante jamais será esquecido por todos que o receberam. Amava os animais e em seus últimos momentos de vida se mostrou firme na fé.
Seu exemplo de vida ficará guardado na memória de todos que a conheceram e sua história se prolongará na história de seus 15 filhos, 79 netos, 101 bisnetos e 07 tetranetos.
Hoje é um dia diferente por que ela não está mais em nosso jardim, mas o perfume que espalhou na terra jamais se acabará.