Saboreando as fatias

O tempo é o relógio da vida e assim, implacável, por isso, nem mesmo um segundo, é capaz de se repetir. Nisso estamos sempre em desvantagem ou, se preferirmos, podemos nos considerar privilegiados. 
Por causa deste mero detalhe, podemos simplesmente viver (calma, não digo sair por aí se jogando de cabeça em qualquer situação estapafúrdia). 
Falo de coisas simples como saborear um bom pote de sorvete com os amigos, contemplar o pôr do sol, caminhar despreocupadamente, rabiscar umas ideias de vez em quando. Ler uma boa poesia de Neruda, Drummond ou Vinícius. sair por aí cantarolando músicas de infância. 
Enfim, provar da vida com mais intensidade, menos pressa e assim ser um tanto mais feliz por assim dizer.
Muitos acabam por não saborear nenhuma fatia por inteiro da vida; a infância é tão cheia de invasões e superficialidades que antes mesmo dos dez anos tem criança usando salto alto e tinta no cabelo.  
O número crescente das mães, cada vez mais precoces, e cada vez menos adolescentes pode formar daqui a alguns anos (sem exageros) uma geração órfã de valores, de vínculos familiares e algumas coisas que se pregava há uns anos atrás sobre o conceito de família.
A juventude, atordoada entre o fazer tudo de uma vez e o conhecer um pouco de cada coisa, tem provado que nem sempre um minuto de prazer vale toda uma vida, prova disso são os acidentes no trânsito, a experiência do crack que vicia de primeira e as loucuras que tem matado milhares de jovem a cada ano.
Não é necessário provar de tudo para saber que a vida vale a pena e nem saltar sem paraquedas para descobrir tem asas.

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