Você na foto

Você na foto é a plena consciência de que jamais vou esquecer o que vivemos.
Quando vivemos haviam tantos medos em nossos gestos e olhares, parecia que o futuro seria uma terrível incerteza para nossas vidas e que ficar juntos era de todas a pior coisa. 

Eu guardava os meus medos em caixinhas com laços de fita e anotava as minhas ilusões em cadernos ilustrados com figuras e desenhos coloridos. Era bom viver, melhor ainda quando conheci um pouco do seu universo. 

Você temperava as minhas tardes de domingo com Balabanian declamando Clarice e éramos apenas um casal confuso diante de um vasto mundo chamado juventude. Você comprava chocolates e me chamava de "minina", não me dizia coisas óbvias porque você sempre foi diferente e eu sempre soube que seu coração era maior que você. 

Ainda lembro da crônica dos meninos do terminal da Lagoa, das histórias compartilhadas sobre sua terra e sobre o intenso caminho que fazia até ela. Olho seu rosto hoje e me vem a mente todas estas coisas, mas aí me lembro que você sempre se negou a sermos amigos. Talvez para deixar sagrada a lembrança de um trecho do caminho em que estivemos lado a lado. 

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