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Entre letras e reformas

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Confissão de início de texto: preciso ser sincera a respeito de compor nestes dias tão incertos para as pessoas de mentes trêmulas como a minha. Não somente pela inconstância da escrita a lápis mas também pelas mudanças ortográficas, tenho evitado visitar as páginas em branco do Word e as folhas pautadas de meu caderno. Mas como até 2012 temos uma "licença errográfica", ou seja, até lá podemos miscigenar os termos , confundir os hífens e atropelar os acentos graves prefiro arriscar-me a ficar longe das letras, enfadonhas e encantadoras letras; de Machado, de Camões, de Mário, de Shakespeare, de Rachel... Para compor as trilhas imusicáveis da vida não precisa-se de violão (até porque não saberia tocá-lo) mas arrisco a escrever minhas líricas impressões. Alguém já me disse que a poesia é minha "praia" mas até para a praia é necessário o sol forte das impressões cronicistas do cotidiano e nelas tenho mergulhado de vez em quando. Para a crônica ou para a poesia é que ...

Considerações sobre humanos

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Entender-se como pessoa integrante do mundo e não apenas como mais um número na multidão; eis o motivo pelo qual estamos na terra. Interagir com os pares, buscando compreender suas fraquezas, absorver suas lições e aproximar-se deles como humanos, é tarefa não tão fácil assim, mas importante para nossa construção emocional e espiritual. Ninguém vive sozinho, nem mesmo quando não conhecemos os rostos estranhos do prédio em que moramos, ou quando encontramos a multidão que invade o sinal de trânsito e o faz parar. Acho fascinante esta hora única em que para o trânsito e a multidão entra em cena. No caos urbano em que se vive se fazem estranhos seres enclausurados pelas paredes da solidão e se fazem estranhos, seres apreensivos e desejosos de outros seres. Nem mesmo podem se dar a conhecer a expectativa do outro e a formalidade de um cumprimento num casual encontro no portão é por vezes frio e raro. As mentes brilhantes de pessoas comuns se apagam em meio ao anonimato do não ter mais vi...

Ser poeta

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Não é por que, de repente, comecei a sonhar que esperarei dos outros, semelhante atitude. Faz tão pouco tempo que nem mesmo eu sabia o que era isso, na verdade, meus sonhos pareciam mais, delírios que qualquer outra coisa. Muitos deles nem expunha diante dos meus amigos; achava-os incabíveis, distantes. Mas passaram-se algumas situações e me vi diferente do que era. Vi que algumas projeções feitas em meus momentâneos delírios haviam se materializado e sem mística, nem poder sobrenatural para explicá-los. Passei a notar que as pessoas mudaram comigo, algumas para melhor e outras, inevitavelmente, para pior. Eu sabia que havia rosas a colher, espinhos a desviar e nem mesmo poderia me livrar destas sensações esquisitas que vez por outra me acometem. Meu ser paradoxal, ou seja, minhas contradições humanas e poéticas me fizeram descobrir que o pior estava para acontecer; finalmente eu me tornaria um ser de julgo público, pouco adaptado aos males do reconhecimento e da opinião alheia. E ...