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Sertão

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Meu sertão enverdecido Pelas chuvas de abril. Tua cor esperançosa Enche-nos de alegria mil. Meu sertão destemido, Que enfrenta o esquecimento E luta para preservar a memória Para não deixar morrer seus alentos. De  novas e velhas vidas É este meu sertão humano Que sofre suas tribulações Mas não acata os desenganos. Meu sertão de brava gente, Sedento de educação Que luta por dias bons Para acabar com a opressão. Meu sertão incansável Meu sertão renovável Meu verdejante sertão.

Reflexões sobre um sertanejo

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A pequena Judite exibindo sua tarefa  de casa A incerteza de viver cada dia de um jeito é o que mantém a esperança do homem e alimenta o raiar de um dia novo. No sertão, onde desde criança as brincadeiras são um intervalo entre uma tarefa e outra de um já quase trabalho, as pessoas se formam e crescem sem pensar exatamente naquilo que são. A rotina, tantas vezes ignorada, guarda traços quase invisíveis de pessoas que pelo ato de lutar por toda e qualquer conquista acabam adquirindo valores de resistência e aspectos humanos mais intensos que outras. O sertanejo, dito forte, é acima de tudo um ser humano que tem a oportunidade de fazer de cada direito básico uma luta infinda e uma espécie de aventura como se aquele direito já não lhe fosse inato. Casa de minha avó - Boa  Esperança, Paramoti Assim, ao concluir os primeiros anos na escola, um filho de agricultor, por exemplo, é motivo de comentários entre os vizinhos e torna-se referência. Enquanto que aquela é apenas a conq...

Antipatia urbana

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         Não me habituei de todo à correria urbana e vez por outra tenho saudades dos hábitos de minha pequenina cidade de apenas quase 12 mil habitantes. Ainda estranho a não-poesia do caminhar apressado das ruas da capital, o não ter vizinhos e as “portas batidas” como se diz em bom “cearês”. Em minha pacata cidade ainda se usa “boa noite” para cumprimentar as velhinhas na calçada, se diz “bom dia” ao padeiro, ao gari, à vendedora de tapiocas. Vez por outra, esqueço a falta de etiqueta urbana e cumprimento timidamente, algumas senhoras que conversam em suas calçadas quando passo para a faculdade. E confesso, dia desses parei e pedi permissão para cumprimentá-las sempre, é que me sentia estranha em vê-las todas as noites e dividir sua calçada sem cumprimentá-las.  Nessa selva urbanesca que é a capital, sinto tantas vezes que as feridas sociais já não chamam a atenção e os rostos perdem sua identidade diante do ignoto, do desconhecido mundo agitado da multi...

Castelos

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Confesso que apesar de todos os conceitos que havia em mim sobre felicidade, alguns deles “encastelados” pela minha forma de ser, tenho mudado certas atitudes e minha maneira de pensar na vida. Houve uma época em que eu acreditava em contos de fadas, sexta-feira, 13 e outras crendices alimentadas pela nossa cultura tão arraigada na inocência do povo. Com o tempo e a rotatividade da vida, mudamos a forma de ver o mundo e aí descobrimos que é do caos que nascem os melhores resultados, as maiores conquistas e daí, a concretização natural da vida. Depois de tudo, o melhor é não esperar que a Seleção Brasileira de Futebol, ganhe a Copa do Mundo, que a política salve uma nação ou que a vida seja exatamente como pintam os apresentadores de TV. Com a exceção do ceticismo acumulado pelas experiências desastrosas da vida, deve-se mesmo manter os pés no chão e acreditar de forma consciente, menos ilusionista, naquilo que verdadeiramente importa. Confesso, novamente, que isso é apenas uma forma de...

Soneto do Amor Total

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Amo-te tanto, meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te afim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude  Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. Vinícius de Moraes

Traços de amizade

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Nosso tempo não é contado no relógio e nem tem espaço para a mágoa, nosso olhar deve ter a luz terna da alegria do reencontro  sem a cobrança dos últimos e nem dos próximos acontecimentos. Quero o que há de melhor em você, sua sensibilidade de boêmio jovem poeta, sua aposta na vida e nos sonhos de menino (agora quase homem) não em tamanho, mas em espírito, em intelecto. Quero o timbre tímido de sua voz ao ler meus poemas seu abraço acolhedor e seu beijo na testa, sua forma estranha de me dizer, não (mesmo internamente, sim). Quero seu discurso empolgado de sua descrença no mundo e os causos de sua cidade, de sua gente, de sua infância, quero sua mão fria tocando a minha e seu jeito estranho de me manter longe mesmo que eu insista em estar perto e desenhar cada traço dessa amizade.

Navegar é preciso

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Nesses tempos de pouco tempo dedicado ao homem e muita energia gasta com máquinas a vida se mostra estranha e viver já é de todas, a maior aventura das últimas décadas. Agora, usam-se poucos “Bom dia!”, quase nunca um “Por favor!” e muito raramente, um “Desculpa”. Ao que me parece, as palavras tornaram-se armas e dependendo de quem atira primeiro, usá-las ou não pode ser uma questão de estratégia. O diálogo, parte importante para a construção das relações foi codificado, enxertado de gif’s e scrap’s e transportado para uma máquina on line e on time . O que antes se resumia a uma permissão informal do “olá amigo, tudo bem?” agora é o famoso - Me adiciona aí, vai! No mundo da navegação virtual quem ainda não caiu na rede é um peixe... fora d’água. O que está bombando agora (e não sei até quando, mas tudo bem) é o famoso Twitter, 144 caracteres que descrevem, noticiam, denunciam ou simplesmente comunicam algo (geralmente, uma situação cotidiana do último segundo na vida de algum artista ...