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Ciclos

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E a gente vai trilhando a vida Cumprindo as sentenças Aproveitando o tempo E a vida nos matando Um pouco todos os dias Enquanto sopra o vento E a lista vai se esgotando Com o tempo, com o vento E A GENTE vai se renovando Todo dia tem gente nascendo Todo dia tem gente morrendo Até o dia que por aqui ficamos

Veredas

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Não roube a minha esperança Um caderno, um livro e um lápis  São as únicas armas que possuo Por que não tenho amigos influentes  E nem desfruto de altos cargos do governo Não mate a única chance que tenho De interromper o ciclo de miséria em que nasci De contradizer os números, de viver além deles De reconstruir a história de meus pais, O fatídico destino de meus avós E a ignorância de várias gerações. Me deixe quebrar os grilhões da inércia E trilhar novas veredas, Rasgar a mata fechada dos obstáculos Descobrir outras sensações Renovar minha lista de sonhos Mas espere, não posso fazer isso sozinha. Preciso de muitos De muitos amigos com o mesmo anseio De muitas mãos dadas nessa caminhada De muitos que assim como eu acreditam Que um caderno, um lápis e um livro Podem mudar a história de muita gente.

O povo

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O carro quebrou O remédio acabou O salário atrasou E o povo? O povo errou? Por isso pagou? Mas ainda há saída Havendo esperança Há vida Mas não queira se iludir Não existe um sequer Para nos acudir. O remédio?! O remédio é o povo Que por se calar Mais um pato vai pagar.

Tempos atuais

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Ventos sopram Barcos navegam Pessoas lutam  Corações entristecem Amigos se estranham Lágrimas se juntam Desejos se vão Sonhos se desfazem Vontades contidas Amores não realizados Mentes incertas Minutos se passam Juventude inquieta Elite oprime Muitos tentam Poucos conseguem Alguns morrem Outros desistem Alguém grita Ninguém escuta Primeira poesia do livro Além de Mim.

A fatalidade da juventude

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Ninguém imagina que vai acontecer com a gente! Nossos pais passam a vida toda tentando nos proteger, quando ainda somos crianças é mais fácil, um carão aqui, uma palmada ali e aquele choro passa logo, nem dói.  Depois vamos ganhando asas, exigindo nossa liberdade.   Nossos pais nos enchem de avisos, alertas e precauções, fazem de tudo para evitar que a gente machuque sequer um dedo das mãos, ficam noites inteiras acordados e sofrem por que sabem que a juventude é a época da terrível vontade de viver.  Eles sabem que um dia também foram um pouco do que somos hoje, respeitando é claro, as devidas proporções e épocas vividas.  Faz até medo desobedecer, fingir que não ouviu a mãe pedir para não beber demais, voltar mais cedo ou deixar de ir a um lugar.  Mas a juventude, ah, a juventude...  Os jovens adoram correr riscos, escalar seus medos, desafiar a lógica e acima de tudo, se divertir: é tudo que eles querem. É nesse momento que esquecem dos conselh...

Poesia para o mundo

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Meu espírito poético transcende o dia, Invade a noite e não vai embora Revira-se em minha cama, E permanece entre meus lençóis. No dia seguinte volto a encontrá-lo Estranho, pálido, cansado, E na busca por uma inspiração; Atropela-me os afazeres, Confunde os meus dizeres Reclama da minha inanição. Preciso consertar meu barco Sair de novo pelos mares Arriscar-se em tempestades Destruir antigos pilares Hastear bandeiras ao vento Respirar forte outros ares. Cantar canções de outrora, Reviver álbuns antigos, Refazer a lista de sonhos Reencontrar os velhos amigos. Pode ser que aí se encontre Parte de um tesouro perdido. Essas palavras empilhadas Fazem-me sentir alegria Pois já conta certo tempo Que versos eu não escrevia Afinal, como pode este mundo, Sobreviver sem a tal da poesia?

Para a nossa Rosa preferida

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Ela nasceu em 28 de maio de 1917, em Angelim – Paramoti, era filha de José de Sales e Francisca Ferreira e trouxe o nome de Rosa. Veio ao mundo numa época difícil, quando as mulheres tinham pouco espaço na sociedade e a educação não era acessível a todos. Seu caderno foi a enxada e os afazeres da roça, “ trabalho desde que pude com uma enxada ” me disse certa vez. Filha de agricultores, seu pai que andava sempre à cavalo a levava para onde ia e numa de suas idas para a missa em Paramoti acabou conhecendo Francisco Chaves com quem casou-se aos 15 anos. Os dois foram morar em Boa Esperança, os desafios eram muitos e ela ajudava o marido aonde quer que fosse, tirar mel na mata, cuidar dos animais, até mesmo grávida subia nas árvores para derrubar comida para o gado. Teve 18 filhos, dos quais só 15 ficaram vivos. Cuidou de todos com afinco e zelo, trabalhava no roçado, colhia algodão, criava gado e sempre serviu a todos antes de sentar à mesa para comer. Quando as filhas ficaram ...