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Do jeito de encarar o rio

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Essa força estranha que nos move. Essa força estranha que move as pessoas, as montanhas, as águas. Estamos prestes a atravessar mais uma correnteza e eis que à beira da estrada nos juntamos aos muitos que, ainda não conhecem o agitar das águas, mas aguardam com ansiedade o momento de encará-las. Nosso jeito bravo de dar ao mão ao outro e segurar firme, quando duvidoso ele parece cair na correnteza, é que nos torna especialmente humanos. Humanos de um jeito latente de ser humano, de uma forma múltipla. Não apenas o meu ou o seu interesse, mas o nosso. Em alguns momentos e por sermos muitos nos dispersamos com a paisagem ao nosso redor, mas o ardor de servir nos chama de volta e nos leva ao caminho. Tantas vezes, na tensa travessia contamos com mãos e braços fortes que nos encorajam a chegar do outro lado. E tal qual, na natureza, em nossa vida também há a outra margem e é quando percebemos que o rio era apenas o meio para chegar. Do outro lado, há tantas outras vidas à espera ...

Espelho

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Existe uma música que diz: “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”... para as mulheres particularmente, isso ocorre com muita frequência. De vez em quando, encaramos o espelho e nos invade uma sensação estranha de que há algo errado conosco. “Acho que engordei.” “Ih, mais uma ruga”. “Nossa, ela tinha razão, estou muita magra”. Parece que do outro lado do espelho mora alguém igualzinho a nós, disposto a nos destruir. Às vezes, dizem absurdos que nos fazem chorar ali mesmo, feito bezerros desmamados. E como a pessoa que mora no espelho tem a nossa cara, tendemos a acreditar nela e a deixamos fazer um enorme estrago em nossa vida. Mas fala a verdade, que mulher nunca parou em frente ao espelho numa manhã de sábado sem nada para fazer e se achou dez anos mais velha ou dois quilos mais gorda?! Que mulher já não experimentou cinco blusas, quatro calças somente para ir ao trabalho numa manhã de segunda-feira? Que mulher nunca perdeu o horário por causa da maquiagem...

Riscos na parede

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Decidi encarar a vida com uma nova expectativa. Peguei meus papéis internos: amassei alguns, rabisquei outros e decidi escrever novas páginas. Ainda com a caneta na mão, mudei a forma do texto e resolvi fazer figuras nos cantos do papel. Animadamente, corri em busca de uma editora que publicasse minhas novas composições. Apresentei algumas propostas, mas todos acharam pouco atrativo aos leitores: disseram que faltava tom, sincronismo e uma porção de coisas que, só quem nunca abriu a janela para um campo de girassóis é que consegue entender. Então, resolvi tornar público meus peculiares escritos e achei deveras interessante, a ideia de expor nas paredes concretas de minha casa. No início, todas achavam aquilo um absurdo, mas aos poucos a curiosidade foi tomando o espaço do espanto e os transeuntes tornaram-se leitores. Foi aí que descobri que o que mais incomodava as pessoas não eram os rabiscos na parede, era o fato de que paredes não foram feitas para serem riscadas. O caos tornou-se ...

Meu tempo

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Nos últimos dias, tenho pensado muito na utilidade do tempo e de que modo tenho gastado cada minuto dele. Tenho observado que minhas manhãs poderiam ser menos cansativas, sim por que muitas vezes já acordo irritada pela música do meu despertador (apesar de ser uma bossa de Tom Jobim, mas que nesse caso, me lembra um rock pesado). Tenho cogitado a ideia de caminhar, mas logo no primeiro dia em que eu e minha amiga Vivi marcamos, amanheceu chovendo. Também estive pensando em "gastar mais tempo" com alongamentos matinais e alimentos mais saudáveis no café manhã, em experimentar o sabor da comida ao invés de almoçar correndo para voltar ao trabalho. Em me permitir ir à praia de vez em quando só para apreciar a bela paisagem, em ligar para os amigos no meio da tarde só para saber se está tudo bem, em escrever quando vem a vontade, em correr menos em busca da vida. Tenho pensado muito em sair dessa rotina cansativa e, de verdade, tenho gastado pouco tempo comigo, pois cada minuto...
Se eu pudesse eu dava um toque em meu destino Não seria um peregrino nesse imenso mundo cão (...) Não aprendia as maldades que essa vida tem Mataria a minha fome sem ter que roubar ninguem (...) Se eu pudesse eu tocava em meu destino Hoje eu seria alguem Seria um intelectual Mas como não tive chance de ter estudado em colégio legal Muitos me chama de pivete Mas poucos me deram um apoio moral Se eu pudesse eu não seria um problema social Seu Jorge Composição: Guará/Fernandinho Bela música na voz de Jorge Salve Jorge!

Viver é isso aí

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Salvo todas as oportunidades que deixamos passar enquanto dormimos, viver é estar atordoadamente acordado para a vida. A dúvida do que pode vir a acontecer no próximo minuto da sua e da minha existência torna tudo surpreendente, por isso é inútil prevê a próxima descoberta dos cientistas, tentar adivinhar os números da mega sena, ou até mesmo fechar-se por trás das cortinas do medo; existir supera tudo isso. Certa de que não tenho mais tanta certeza assim, resolvi declarar greve ao modo chato de encarar o mundo dos adultos e, sem achar que sou criança fora do tempo e espaço, ou que não tive infância farei agora o testamento das não-previsões de meus próximos dias. Item 01: Evitar o tédio e considerar o ócio, preciosa fonte de inspiração. Item 02: Cozinhar com amor, apesar da vexada hora em que a fome já é insuportável. Item 03: Cumprimentar os vizinhos. Item 04: Não ter vergonha de tomar apenas uma cerveja, para não perder o bom papo na mesa do barzinho. Item 05: Es...

Festa de Julho em Paramoti

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Vamos viajar até uma cidadezinha do sertão central chamada Par-amo-ti, ou melhor Paramoti. Em julho, a pequenina cidade da Paz vira uma grande cidade, feita de rostos de seus filhos pródigos e de novos rostos que vêm em busca de sua tradicional festa de Julho e como bem diz o hino de Sant'Ana: "Neste dia reunidos com especial fervor " esta terra parece mágica e revela-se um aconchegante lugar onde TODOS querem estar. Nesta terra ainda acompanha-se o ritual da novena em frente a matriz e as pessoas povoam as praças, simpáticas praças com nomes de "frei"s: Praça Frei Diogo, Frei Cirilo... Nesta cidade, celebra-se todo o ano em julho a já tradicional Festa de Sant'Ana e é neste período de férias que os paramotienses regressam com suas saudades maternais e trazem novos visitantes que se encantam com as paisagens singelas desta terrinha. Num clima de paz e muita tranquilidade as imagens falam dispensando qualquer comentário; então vamos a elas.