Postagens

Crônica lírica

Imagem
Cada passo dado em direção a mim tem sido uma grande e maravilhosa aprendizagem. No início, era o jeito estranho adolescente submissa, sensível, obediente. Depois vieram as oportunidades de sair do casulo, maneira estranha de acontecer. Inutilmente, algumas ideias foram preenchendo o que havia dentro de mim.  Aos 14, encontrei o caderno e a caneta, de onde saiu a primeira virtude literária ou ousadia romanesca.  Escrevi então, meu primeiro livro. Talvez essa tenha sido a grande metamorfose dos meus dias. Embora, tímida, meu instinto escritor desabrochava e era possível olhar o mundo com outros olhos. Depois, o tempo, implacável e contante me levou a conhecer minhas primeiras noções de sonho. Havia uma sede de ser e um desejo de se transformar. Não haviam muitas opções, e crescer se tornou inevitável. Foi assim que descobri meus conflitos e as agruras que vêm com o benefício dos avanços da idade.  Cresci cheia de conceitos, preconceitos, ocupações e preocupações: antes d...

Licença para Patativa

Imagem
Meu sobrinho Luís Victor e o primeiro presente que ganhou do avô Aureliano Eu sou de uma terra que o povo padece Mas não esmorece e procura vencer Da terra querida, que a linda cabocla De riso na boca zomba no sofrer Não nego meu sangue, não nego meu nome Olho para a fome, pergunto o que há? Eu sou brasileiro, filho do Nordeste Sou cabra da peste, sou do Ceará. Patativa do Assaré, 1909 - 2002 Patativa do Assaré era o nome artístico (pseudônimo) de Antônio Gonçalves da Silva. Nasceu na cidade de Assaré - Ceará, foi um dos mais importantes representantes da cultura popular nordestina. Dedicou sua vida a produção de cultura popular (voltada para o povo marginalizado e oprimido do sertão nordestino). Com uma linguagem simples, porém poética, destacou-se como compositor, improvisador e poeta. Produziu também literatura de cordel, porém nunca se considerou um cordelista. Sua vida na infância foi marcada por momentos difíceis. Nasceu numa família de agricultores pobres e perdeu a ...
Imagem

Brincando de ser grande

Imagem
Quando a gente é criança carrega dentro de si um personagem teimoso que insiste em desejar que o tempo corra. Esse "menino traquino" que habita a nossa alma vive apressando-nos para chegar logo a hora do recreio, conta os minutos para o sinal tocar e não ver a hora de devorar o almoço da mãe ao chegar em casa.  Mais tarde, na adolescência, quando nos chega a ansiedade dos primeiros encontros, a inquietude da rebeldia, a desobediência ao receber os "nãos" dos pais, nos tornamos um pouco menos apressados e mais inconstantes, vulneráveis também. E aquele menino traquino de antes dá lugar a um "sujeito teimoso" que vive em busca de repostas para perguntas que o mundo vive a mudar. Mas a vida, estrada da experiência e livro de páginas finitas, ensina que não há tempo para morar em nós, nem o menino traquino, nem o sujeito teimoso. A vida nos ensina que é preciso ser um pouco dos dois e é nessa fase, chamada também de juventude, que florescemos para o mundo. ...

A idade que tenho

Imagem
Quando a gente faz aniversário tem a oportunidade de escolher novamente a idade que se tem, isso por que não é o tempo de vida que temos que nos faz ser crianças, jovens, adultos ou velhos: a nossa idade é definida pelas escolhas que fazemos, pelas atitudes que não tomamos, pelos riscos que corremos, pela forma como encaramos a lente da vida. Conheço gente que aos 16 anos é adulto por convicção, outros que aos 40 ainda nem saiu dos 15 e uns que aos 90 ainda se comportam como se o tempo jamais tivesse passado. Por isso, discordo dessa forma de se contar quantos anos de vida temos. Poderia ser uma forma mais dinâmica, como por exemplo, adicionar aos dias de vida, uma lista das melhores coisas que já se viveu, um desenho desajeitado dos lugares mais bonitos que conheceu, um generoso álbum de fotografias das pessoas mais incríveis e mais simples que conhecemos pela vida afora.  Assim, não teríamos aquela preocupação em esconder dos amigos a idade ou ao se olhar no espelho lame...

Recordações

Imagem
Escolhi essa foto por que mostra eu e minha sobrinha Vitória que é a minha cópia quando eu tinha a idade dela Guardo em minha memória  Os meus encantos infantis Os lugares que morei  As pessoas que conheci. Todas as brincadeiras De roda  e esconde-esconde, Os desenhos que pintei  Quando era tão pequena. Lembro os meus aniversários  Com imensa satisfação Meu pai trazia doce, carne e pão. Aos dez anos andei a cavalo E senti o peso de ser  criança Quando um adulto me mandava levantar Para dá-lhe o lugar. E os banhos de riacho Na casa de minha avó As primeiras orações Que meu pai ou minha mãe Nunca me deixavam só. As cartilhas rabiscadas As tentativas do ABC Aprendi o alfabeto  Antes de a escola conhecer Ainda sinto saudades De tudo que já passou Mas sei que isso é correto, O tempo não tem repetidor. Poesia do livro Além  de Mim, autora Aurenir Sales Luz 

Sertão

Imagem
Meu sertão enverdecido Pelas chuvas de abril. Tua cor esperançosa Enche-nos de alegria mil. Meu sertão destemido, Que enfrenta o esquecimento E luta para preservar a memória Para não deixar morrer seus alentos. De  novas e velhas vidas É este meu sertão humano Que sofre suas tribulações Mas não acata os desenganos. Meu sertão de brava gente, Sedento de educação Que luta por dias bons Para acabar com a opressão. Meu sertão incansável Meu sertão renovável Meu verdejante sertão.