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O um vai sempre precisar do dois

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Ando bem desconfiada nos últimos dias. Desconfio que a vida tem uma forma estranha de nos apresentar à felicidade; primeiro ela romanceia os conceitos para a gente pensar que é quase impossível encontrá-la, depois ela se disfarça de uma rotina leve de dias e noites seguidas de vivências e convivências com os outros. Sim, por que no eu, no eu sozinho mesmo, duvido muito que haja felicidade; pode haver um certo contentamento em se sentir só por algumas horas, mas a realização está no convívio, na interação. Basta olhar, por exemplo, a empolgação do time com o estádio lotado por sua torcida ou a alegria de um ator ao ver que a plateia está cheia.  Por isso, a evidente conclusão: somos seres vitalmente sociáveis. O um vai sempre precisar do dois e, nessa soma, não se calcula a quantidade, mas a relação.  Como diz Jobim na bossa nova Wave "...fundamental é ter um amor, é impossível ser feliz sozinho...".  Lógico que, em se tratando de amor, as relações se alt...

Cantarolando bregas

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Em busca de um tempo que nem sei se existe corro todos os dias.  E todos os dias, fatalmente este tempo acaba; felizmente quando o sol nasce traz com ele uma nova fatia do tempo e recomeça aí a nossa esperança para ser feliz de novo, ou não, né... Tem dias que não dá tempo realizar todas as tarefas, ligar para aquele amigo que fez aniversário, fazer uma oração em silêncio, dar uma corridinha na praça... enfim, e quando o dia acaba nos resta a estranha sensação de um tempo perdido. Deve ser por que temos essa mania feia de ficar contando as vantagens de estar vivo pelo número de horas em que estamos ocupados. De vez em quando nos iludimos com a falsa ideia de que o que conta são as tarefas cumpridas, os compromissos realizados; isso de fato é importante mas alimentar nosso jardim da felicidade é também tarefa imprescindível. Quando falo em jardim da felicidade não estou falando da mente fértil da Alice (a do país das maravilhas) não, viu. Na verdade, falo de uma série de co...

Viva a juventude rural

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Como é bom ser brasileira, ser nordestina e além disso, cearense. Quero registrar aqui a minha alegria em ter participado de um evento como a Jornada do Jovem Rural, onde jovens de todos os rincões deste país puderam beber dessa cultura viva que anda quase morrendo, sufocada pelos modismos urbanos. "Dança aí negro (a) nagô"  "Dança aí negro (a) nagô"  (...) Dança aí brancos, negros, pardos, amarelos e vermelhos. Que as "meninas que viram onça" repitam seus passos tribais, que a mineirice de Isabel, de Maria, de José... ecoe nos sons de violas e tambores. Que o sotaque do baiano e a ginga da capoeira, o sabor do feijão seja lá a que moda for seja a nossa etiqueta de qualidade. Que o humor cearense e o sorriso de Iracema dos lábios de mel se espalhem e se misturem ao  jeito quieto do capixaba e que as danças gaúchas contem cada vez mais a história de quem  já existiu. Que nossos jovens conheçam Luís, o Gonzagão, que apreciem a beleza de ser u...

Eu ainda tenho um sonho

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Por Aurenir Luz Numa cidade pequena como tantas outras deste país, um grupo de jovens como tantos outros dessa geração, um dia se uniu por objetivos comuns e sonhos diferentes.  Desse encontro, sugiram muitas histórias, algumas contadas de um modo tão fascinante que foram capazes de motivar novas pessoas. Da antiga casa de farinha em 2005, dos grupos de estudos embaixo dos juazeiros, do desafio de quem já conhecia a luta, de mais de uma década do PRECE, do brilho nos olhos de 17 jovens nasceu a Escola Popular Cooperativa de Paramoti. Uma ideia nova, um desafio grande mas um sonho consistente: transformar vidas pelo simples fato de contrariar os números, alguns contrariar os pais, outros contrariarem as previsões e enfim, todos contrariarem os métodos de ensino e aprendizagem.  A lição adquirida no PRECE: de dizer o que sente e aprender com quem pouco sabe, de compartilhar o que aprendeu e de protagonizar a própria história foi trazida junto com as pegadas das tr...

Aquarela da vida

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A vida estranha como é, se faz cada dia de uma cor, a minha por exemplo, está hoje azul.  Não sei exatamente o porquê, mas azul para mim é uma boa definição.  Ando com saudades de algumas idas à Ponte Metálica, de umas fotografias da paisagem e de um copo de cerveja com os amigos.  Ando com saudades de uns livros que nem li, de um romance que nem criei, ando com saudades de ser menos eu, de correr pelas veredas da Boa Esperança e de rezar novenas no altar da capela de Cristo Rei.  Ando com uma saudade tremenda de olhar de novo as torres iluminadas da matriz de Sant'Ana e de cantar o hino com aquela emoção única do mês de julho.  Ando com uma imensa vontade de sair a cumprimentar os antigos vizinhos da 25 de janeiro onde morei há um tempo, ando com saudade da missa aos domingos e da praça após a missa.   Talvez por que seja julho e julho é o mês nostálgico de todo bom paramotiense.  Talvez por que de vez em quando nos bate a saudade das vontades ...

Antigas preocupações

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Minha sobrinha Vitória pedalando pela vida Entendo que a vida é um enorme livro com determinadas páginas: algumas escritas, outras em branco. Sendo assim, somos todos meros escritores de um tempo finito, mas sem data certa para acabar, de uma história interessante, mas que não conhecemos o próximo capítulo. De vez em quando nos atrevemos a imaginar os próximos acontecimentos, a sofrer pelas próximas angústias, a sonhar com as futuras glórias, mas a urgência do tempo implacável e veloz nos alerta que é preciso viver o hoje. Ou por lado, nos ressentimos do passado e deixamos que as experiências mais dolorosas voltem a nos machucar, que os sentimentos mais estranhos nos encham de incertezas, que os medos nos escravizem e que a dúvida da sorte prevaleça.  Mas que mania, essa nossa, de evitar a sutileza do agora e se aventurar pelos antes e depois?! Será que podemos não ser homéricos e sofrer menos?!  Particularmente, confesso: é muito difícil, porém não impossíve...

Aprendizagens

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Pessoas muitas, algumas leais, outras efêmeras, algumas alegres, outras nem tanto. De todas elas guardo algo, além da lembrança, mas importante mesmo é que delas aprendi algo. Aprendi que a ganância é a causa da injustiça, que os meus dias podem não ser mágicos, mas as minhas atitudes o tornarão de algum modo. Descobri por exemplo, que um sonho não se realiza apenas por existir dentro de nós e que o esforço da busca, torna-o delicioso. Tive que aprender a não temer a voz alterada da prepotência só por que naquele momento alguém acredita que tem mais razão que você. Descobri numa tarde, o quanto somos essenciais ao mundo, mas o mundo jamais para se nos perdemos de nossas essências. Aprendi que estejamos sorrindo ou chorando, o que importa mesmo é a veracidade do sentimento, seja ele qual for. Por todas as decepções que vivi, apesar de meus verdes anos de vida, aprendi que a família deve ser primordial em suas escolhas, mas nem todos os familiares lhe escolheriam se tivessem tido essa c...