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Tempos atuais

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Ventos sopram Barcos navegam Pessoas lutam  Corações entristecem Amigos se estranham Lágrimas se juntam Desejos se vão Sonhos se desfazem Vontades contidas Amores não realizados Mentes incertas Minutos se passam Juventude inquieta Elite oprime Muitos tentam Poucos conseguem Alguns morrem Outros desistem Alguém grita Ninguém escuta Primeira poesia do livro Além de Mim.

A fatalidade da juventude

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Ninguém imagina que vai acontecer com a gente! Nossos pais passam a vida toda tentando nos proteger, quando ainda somos crianças é mais fácil, um carão aqui, uma palmada ali e aquele choro passa logo, nem dói.  Depois vamos ganhando asas, exigindo nossa liberdade.   Nossos pais nos enchem de avisos, alertas e precauções, fazem de tudo para evitar que a gente machuque sequer um dedo das mãos, ficam noites inteiras acordados e sofrem por que sabem que a juventude é a época da terrível vontade de viver.  Eles sabem que um dia também foram um pouco do que somos hoje, respeitando é claro, as devidas proporções e épocas vividas.  Faz até medo desobedecer, fingir que não ouviu a mãe pedir para não beber demais, voltar mais cedo ou deixar de ir a um lugar.  Mas a juventude, ah, a juventude...  Os jovens adoram correr riscos, escalar seus medos, desafiar a lógica e acima de tudo, se divertir: é tudo que eles querem. É nesse momento que esquecem dos conselh...

Poesia para o mundo

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Meu espírito poético transcende o dia, Invade a noite e não vai embora Revira-se em minha cama, E permanece entre meus lençóis. No dia seguinte volto a encontrá-lo Estranho, pálido, cansado, E na busca por uma inspiração; Atropela-me os afazeres, Confunde os meus dizeres Reclama da minha inanição. Preciso consertar meu barco Sair de novo pelos mares Arriscar-se em tempestades Destruir antigos pilares Hastear bandeiras ao vento Respirar forte outros ares. Cantar canções de outrora, Reviver álbuns antigos, Refazer a lista de sonhos Reencontrar os velhos amigos. Pode ser que aí se encontre Parte de um tesouro perdido. Essas palavras empilhadas Fazem-me sentir alegria Pois já conta certo tempo Que versos eu não escrevia Afinal, como pode este mundo, Sobreviver sem a tal da poesia?

Para a nossa Rosa preferida

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Ela nasceu em 28 de maio de 1917, em Angelim – Paramoti, era filha de José de Sales e Francisca Ferreira e trouxe o nome de Rosa. Veio ao mundo numa época difícil, quando as mulheres tinham pouco espaço na sociedade e a educação não era acessível a todos. Seu caderno foi a enxada e os afazeres da roça, “ trabalho desde que pude com uma enxada ” me disse certa vez. Filha de agricultores, seu pai que andava sempre à cavalo a levava para onde ia e numa de suas idas para a missa em Paramoti acabou conhecendo Francisco Chaves com quem casou-se aos 15 anos. Os dois foram morar em Boa Esperança, os desafios eram muitos e ela ajudava o marido aonde quer que fosse, tirar mel na mata, cuidar dos animais, até mesmo grávida subia nas árvores para derrubar comida para o gado. Teve 18 filhos, dos quais só 15 ficaram vivos. Cuidou de todos com afinco e zelo, trabalhava no roçado, colhia algodão, criava gado e sempre serviu a todos antes de sentar à mesa para comer. Quando as filhas ficaram ...

Amigos são pássaros

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Os amigos são pássaros inquietos que vão mas nem sempre voltam para perto da gente.  Alguns servem apenas para voos mais próximos como ir conosco até a outra margem do rio, colher umas sementes e depois somem. Destes guardamos as parcas recordações do pouco que nos deixou desfrutar.  Há outros que, mesmo ficando pouco tempo por perto, ao irem embora deixam marcas e saudades; uma vontade imensa de refazer os papos no fim de tarde ou de ouvir novamente os planos que tinha antes de sair de nossa vida. Há ainda amigos que são pássaros fiéis que vão e voltam, que nos levam no peito e nos trazem na alma, que desejam sempre nos rever na próxima estação. Nem sempre moram perto mas sempre dão um jeito de estar próximo, de saber e enviar notícias. Há também amigos sonhadores cujo plano de voo é sempre alcançar distâncias cada vez maiores; tenho alguns amigos assim, cuja recordação que tenho já não corresponde mais ao que são hoje, amigos que buscaram o que queriam, encontrara...

Sabores

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Não deixemos Que os dias nos roubem O encantamento de ser aquilo que já pretendíamos ser Antes mesmo que o sol raiasse. Não deixemos que nos roubem A coragem de encarar a janela, Em vez do espelho e nos fechemos Em nosso próprio egoísmo latente. Não deixemos que nos roubem O sabor de caminhar por entre as ruas E o prazer da conversa de calçada Que em nada se assemelha às clausuras urbanas. Que acima de tudo, Não deixemos que nos levem O fascínio pela vida e a ousadia De pelo menos, de vez em quando, Acreditar que é possível colorir o papel Com o mesmo azul do céu. Não permitamos nunca Que os medos tomem de conta de nossas virtudes E que não tenhamos medo de sonhar Apenas por ter errado umas cem vezes. E não deixemos, finalmente, que nos roubem A magia do olhar de deusas O sentimento de humanidade A oportunidade de evoluirmos Na mente, naquilo que se sente Por que o que há de mais belo no mundo É nos presentar com a c...

Percepções

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Persistentes pessoas Pensamentos perplexos Pecados publicáveis Proletários pintados Praças, panelas Pedidos de paz Paredes, pinturas Proteções perecíveis Projetos possíveis Pretensões policiais Poemas primários Protestos parados Pícaros políticos Poucos privilégios Problemática população Proteladas premiações Pragmáticas previsões Pessoas e preposições.